
O sonho é real. Inception é o melhor filme do ano e um dos melhores da década. Pode ser exagero para alguns, porém, verdade para outros.
Nolan, com um elenco de luxo, nos presenteia com um filme original que faz o espectador pensar.
A sinopse (que pode ser lido por qualquer site por aí) é bem simples, mas o filme se mostra mais complexo. A verdade é que não é tão difícil de se entender se for visto com uma atenção apurada.
Nolan, genialmente, coloca Ariadne como a personagem que seria como o espectador por causa das tantas perguntas que faz a Cobb (DiCaprio) e ao resto da equipe. Chega num momento do filme que ela pergunta: "Espera aí. Estamos entrando no subconsciente de quem mesmo?"
Não vejo isso como sinal de desrespeito à inteligência do espectador por parte de Nolan, já que a partir de certo momento não nos deparamos com mais explicações.
As atuações são ótimas, sem exceção. Joseph Gordon-Levitt e Tom Hardy dão um tom cômico (mas não exagerado) e Michael Caine mostra sua total competência, mesmo que seja apenas por alguns minutos.
É uma realidade que está bem na nossa frente: Leonardo DiCaprio é um dos melhores atores dos últimos anos. E não digo da sua geração... Afirmo que é um dos melhores atores da atualidade. Suas escolhas são perfeitas. Desta vez ele interpreta Cobb, um agente especializado em roubar ideias dentro do sonho. A personalidade de Cobb comparada a de Teddy Daniels (Shutter Island - Ilha do Medo) é bem parecida, entretanto, em Inception sua atuação é mais contida. DiCaprio simplesmente pegou a mesma linha de personalidade dos personagens, porém, fez com que sua "variante" (se podemos falar assim de atuações) mudasse.
Outro destaque do filme é a trilha sonora feita por Hans Zimmer. A trilha dá uma personalidade para a ideia, ou seja, a ideia de invasão de sonhos se torna uma realidade fazendo que o espectador acredite que aquilo é possível. Em outras palavras: Zimmer faz com que sua trilha sonora seja como uma "luva" dando mais realidade ao filme. E sabemos que Nolan ficou mais que satisfeito com o resultado, já que é um fanático por realismo. Um exemplo de inspiração da trilha é quando toca "Non, Je Ne Regrette Rien" de Piaf, sendo que a própria música está no contexto do filme. Uma cena de gênio tanto para Nolan quanto para Zimmer. Belíssimo!
A edição de Lee Smith é primorosa. Imagina como deve ser sido difícil fazer uma edição coerente e precisa de sonhos dentro de sonhos? Além de ter esse mérito, destaco a parte final que possui uma tensão absurda onde ocorrem os "chutes" sincronizados. É simplesmente maravilhoso assistir aos segundos e milésimos de segundos que antecedem os "chutes", especialmente os takes em câmera lenta.
Inception é para ser visto e revisto. Isso não se tem dúvidas.
Take final brilhante.
SPOILER: Nolan poderia ter mostrado Saito pegando a arma e matando Cobb e ele mesmo, poderia mostrar as crianças mais velhas e também poderia mostrar o totem de Cobb cair... Então por que não mostrou nada disto? Simples: O diretor apenas optou por um final duvidoso e aberto. Por que "entregar de bandeja" tudo que ele mesmo criou e explicou de uma forma minuciosa? Como o próprio trailer diz: "Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia."
E é essa ideia resistente que será o legado de Inception.
" Dreams fell real while we're in them. It's only when we wake up that we realize something was actually strange. "
Jonatas Rueda